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Empregadores a 4,2 milhões: o pico de 2018 ficou para trás

Equipe Virtruvio

A categoria de empregadores da Pnad Contínua está em 4,2 milhões, abaixo do pico da série. O que a retração significa para quem já emprega na PME.

O dado de partida

No trimestre de setembro a novembro de 2025, o Brasil tinha 4,2 milhões de empregadores, pessoas que trabalham com pelo menos um empregado, segundo a Pnad Contínua do IBGE. O número ficou estável tanto em relação ao trimestre anterior quanto ao mesmo trimestre do ano anterior. Estabilidade sobre um patamar baixo é a informação central aqui.

Porque o patamar já foi mais alto. A retrospectiva da própria Pnad mostra que o contingente de empregadores cresceu 24,5% entre 2012 e 2019, chegando a 4,4 milhões, com acréscimo de 867 mil pessoas, segundo o IBGE. O crescimento veio principalmente de pequenos empregadores ligados a atividades onde a informalidade é alta. Depois disso, a série desceu: a participação dos empregadores na população ocupada era 4,8% em 2018, caiu para 4,5% em 2019, 4,4% em 2022 e 4,3% em 2024, conforme o informativo do IBGE. Comparados os extremos da série, são cerca de 200 mil empregadores a menos que no pico, sete anos depois.

Onde a queda aconteceu

A decomposição da série ajuda a entender o movimento. Em 2019, dos 4,4 milhões de empregadores, 3,6 milhões tinham CNPJ e 832 mil não tinham. A queda de 2021, segundo a retrospectiva 2012-2021 do IBGE, veio sobretudo dos empregadores com CNPJ: redução de 6,3%, menos 207 mil pessoas. Ou seja, quem saiu da categoria foi majoritariamente o empregador formalizado, o perfil que mais se aproxima da PME que contrata com carteira assinada.

Para onde esses empregadores foram é hipótese, e vale tratar como hipótese: a mesma Pnad registra expansão do trabalho por conta própria no período, o que sugere migração de quem empregava para ocupações sem empregados, em vez de simplesmente saída do mercado de trabalho. É a leitura mais compatível com desemprego baixo e renda em recuperação. Mas a pesquisa não segue a mesma pessoa ao longo do tempo, então a afirmação para de ser medida e passa a ser inferência.

O que o mercado formal diz em 2026

O estoque de empregadores encolheu, mas o fluxo de contratação segue positivo. O mercado formal criou 921,6 mil empregos no primeiro semestre de 2026, segundo o Novo Caged do Ministério do Trabalho. A Construção gerou 168.962 postos (+5,73%), a Indústria 143.442 (+1,6%) e a Agropecuária 40.853.

O detalhe que interessa à PME é outro: o Comércio foi o único setor com saldo negativo, menos 3.514 postos no acumulado do ano. Comércio é o setor de pequenos negócios por excelência, e é também onde a mortalidade empresarial é mais alta: 30,2% das empresas do setor não sobrevivem a cinco anos, seguido por indústria de transformação (27,3%) e serviços (26,6%), segundo o Sebrae. O mesmo estudo estima que cerca de 40% das empresas criadas no país não passam dos cinco anos, com mortalidade máxima entre MEIs (29%), depois microempresas (21,6%) e empresas de pequeno porte (17%).

SetorSaldo de postosVariação
Construção+168.962+5,73%
Indústria+143.442+1,6%
Agropecuária+40.853-
Comércio-3.514Único saldo negativo
Saldo de empregos formais por setor, primeiro semestre de 2026 Fonte: Novo Caged, Ministério do Trabalho e Emprego

Juntando as peças: o estoque de empregadores não volta ao pico de 2018 porque a base da pirâmide troca rápido. Abre-se muito, fecha-se muito, e o MEI que sobe de categoria é menos comum do que o que encerra. O empregador que permanece é, cada vez mais, quem atravessou o filtro dos primeiros cinco anos.

O que isso muda na decisão

Para quem já emprega, a leitura prática tem três consequências.

Primeira: o concorrente informal ou por conta própria cresceu de peso na sua vizinhança competitiva. Se o seu setor tem tradição de informalidade, o preço de mercado hoje reflete estrutura sem encargos, e a sua conta de folha precisa ser defendida com produtividade, porque não será defendida com preço.

Segunda: o Comércio com saldo negativo de vagas formais no semestre é um alerta setorial, e não uma regra nacional. Se você vende para outros negócios, o cliente comerciante está sob pressão específica em 2026, o que recomenda apertar a régua de crédito e acompanhar a carteira com mais frequência do que o costume.

Terceira: contratar continua caro em relação à oferta, com desemprego baixo e o fluxo de vagas positivo. A diferença é que a empresa que sobreviveu aos cinco anos tem, em média, mais estrutura para reter do que a que abriu há um ano. A vantagem competitiva do empregador estabelecido em 2026 está menos em preço e mais em estabilidade: quem consegue oferecer trajetória tem acesso a uma fatia do mercado de trabalho que o recém-aberto não alcança.

Para o dono de PME, o número da Pnad funciona menos como previsão e mais como termômetro: o país não está produzindo novos empregadores no ritmo de antes de 2018, e quem está empregando hoje opera num mercado onde a rotatividade de aberturas e fechamentos segue alta. Planejar com esse piso mais estreito, em vez de com a expectativa de uma onda de novos concorrentes empregadores, é a leitura que os dados autorizam.