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PMEs criaram 64% dos empregos em janeiro: qual setor puxa

Equipe Virtruvio

Em janeiro de 2026, MPEs criaram 64% dos empregos formais no Brasil. Mas a liderança setorial muda mês a mês, e 42% das vagas são de jornada reduzida.

Em janeiro de 2026, as micro e pequenas empresas criaram 71.732 dos 112.334 postos formais gerados no Brasil — 64% do total. O dado é do Sebrae, com base no Caged.

O número chama atenção, mas a distribuição setorial importa mais que o total. Dentro das MPEs, a Construção Civil liderou com 36.337 vagas, seguida por Serviços (30.064) e Indústria de Transformação (28.008). O Comércio, que no Caged geral foi o único setor com saldo negativo (-56.800 vagas, por sazonalidade pós-festas), aparece diluído no pacote das MPEs sem destaque próprio.

O Ministério do Trabalho confirma o contraste: no Caged geral de janeiro, Indústria criou 54.991 vagas, Construção 50.545, Serviços 40.525 e Agropecuária 23.073. Apenas Comércio registrou perda líquida. O "64%" das MPEs esconde setores que contraem enquanto outros puxam.

Construção lidera, mas pode ser efeito pontual

A liderança da Construção Civil entre as MPEs em janeiro tem dois motores prováveis: o programa Minha Casa Minha Vida, reativado em 2024, e a reconstrução pós-enchentes no Rio Grande do Sul. Ambos geram demanda por mão de obra de baixa qualificação, absorvida por pequenas empreiteiras e prestadores de serviço locais.

Separar tendência de efeito pontual é o desafio. Se a reconstrução no RS explica parte expressiva das 36.337 vagas, o número pode arrefecer conforme as obras avançam. Uma PME de construção fora do RS que planejar contratação com base nesse dado pode estar lendo o sinal errado.

Janeiro e março contam histórias diferentes

O dado de março de 2026 reforça essa cautela. No primeiro trimestre, as MPEs criaram mais de 333 mil empregos — 54% do total de 613 mil vagas geradas no período, segundo o Sebrae. Em março, o setor que liderou entre as MPEs mudou: Serviços passou à frente com 70 mil contratações, seguido por Construção (25,9 mil) e Comércio (16,8 mil).

A liderança setorial virou em dois meses. Janeiro favoreceu construção; março favoreceu serviços. O setor que "realmente está contratando" depende de quando você pergunta, e uma PME que planeja contratação anual com base em um único Caged está olhando um momento isolado de um processo que dura o ano inteiro.

42% das vagas são "não típicas"

Em janeiro, 58% dos empregos gerados foram considerados típicos e 42% não típicos — contratações via CAEPF, jornadas de até 30 horas e aprendizes. O salário médio dos típicos (R$ 2.428,67) ficou 1,6% acima da média geral de admissão (R$ 2.389,78), o que implica que os não típicos puxam a média para baixo.

Para o dono de PME, parte do "64% dos empregos" representa vagas de jornada reduzida e remuneração menor. O dado é positivo no agregado, mas a qualidade da contratação varia conforme o modelo, e isso afeta turnover, produtividade e custo de treinamento.

O que muda na decisão

Se você está no varejo, o dado agregado de "MPEs criaram 64%" não reflete a sua realidade: o Comércio foi o único setor com saldo negativo em janeiro. A leitura setorial importa mais que a leitura agregada.

O estoque de trabalhadores com carteira assinada ultrapassou 48,5 milhões em janeiro, com crescimento de 2,6% em 12 meses. O salário médio de admissão subiu 3,3% ante dezembro de 2025, para R$ 2.389,78. O mercado de trabalho está mais apertado, e a competição por mão de obra tende a aumentar em setores que já contratam forte.

No acumulado 2023–2025, as MPEs responderam por 78% do saldo de empregos da economia brasileira, segundo o presidente do Sebrae, Décio Lima. A participação das pequenas empresas na geração de emprego é estrutural. Mas dentro desse 78%, a composição setorial muda mês a mês, e a decisão de contratar precisa ser específica ao seu setor e ao seu momento.